FILMES DE WOODY ALLEN
A ANA E O REALIZADOR - 1986



      Sabe sempre bem rever filmes que nos fizeram companhia há anos, ou que se tornaram
referências daquele prazer imenso que os minutos passados numa sala escura nos podem
acrescentar. Claro que, como a inocência que na nossa vida sempre se perde, nem que seja por
desgaste ou nunca-uso, a patine do tempo pode deslizar melhor ou pior sobre algumas dessas
imagens.
      E alguns filmes houve de Woody Allen que marcaram os meus anos 80, anos de dedicada
cinefilia que as curvas e contra-curvas da vida depois fizeram esmorecer. Dois filmes marcaram-
me especialmente, por terem acontecido em sucessão e serem dois filmes que intitulo de
excepcionais. Falo de “Another Woman”, com Gena Rowlands, e “Crimes and Misdemeanours”,
com Martin Landau. Sobre estes falarei outro dia, hoje não me apetece. Quero sim discorrer sobre
um dos êxitos de Allen, “Hannah and her Sisters”, de 1986, filme coroado mais ou menos
consensualmente quando aparecido.
      Passaram-se uns anos e agora sabemos que o tandém Mia Farrow/Woody Allen se desfez em
fumos do oriente... Em alguns filmes destes anos é difícil não procurar retrospectivamente janelas
sobre aquela relação afinal não tão perfeita...
Resumindo, a história gira à volta de três irmãs, representadas por Mia Farrow (Hannah), Barbara
Hershey (Lennie) e Dianne Wiest (Marion), três irmãs e os seus sucessos amorosos, maritais/de
fertilidade e, finalmente, artístico/profissionais. Os homens que giram à volta delas são Michael
Caine (a fazer de W Allen-sem-graça), Max von Sydow (a fazer de lui mème) e W Allen (ainda com
alguma piada). O filme desenrola-se em dois anos, balizados por três jantares de “Thanksgiving”.
M Caine está apaixonado por B Hershey mas casado com M Farrow. Um caso típico de “lust” dos
40, só ele é que não sabe, e que se resolve e desvanece na consumação. B Hershey é a bela
indecisa do filme ( e que linda era esta actriz...), a girar de professor em professor e a vítima da
“crise universal” de M Caine/W Allen look-alike. M Farrow é a irmã competente, equilibrada, etc,
cuja frieza e perfeição e cinzentismo fazem a companheira ideal para uma traição... D Wiest faz e
correctamente de falhada compulsiva. Portanto, a irmã que-sabe-tudo, a irmã que-falha-tudo, e a
bela irmã que ainda anda à procura...         Desenvolve-se o filme em quadros curtos, com saltos
no tempo a resolver parte dos nós, W Allen sobretudo e também D Wiest evitam que o filme seja
demasiado sério ao fornecerem uma linha paralela de alguma comédia. E no fim... juntando o
improvável com o habitual, o equilíbrio restabelece-se com três matrimónios, a que procura
encontra o professor adequado, a que tudo falha afinal escreve e “sobra” (improvável...como a
gravidez) para o Woody, Mia Farrow fraqueja 17 segundos (ou uma noite) e M Caine volta ao
ninho as it should.
      Este filme sofreria um desmentido formal em “Husbands and Wives” alguns anos depois, onde
W Allen fará dele mesmo e as coisas não correrão tão bem. Enfim, uma semi-comédia de
costumes com uma B Hershey lindíssima, onde tudo acaba bem não se sabe muito bem porquê e
talvez os pés de barro do argumento não sirvam para mais do que um aviso do estaria para vir.
Filme agradável, não genial, algo envelhecido: um 3,5 em 5, meus senhores ? Mia Farrow
recebera/dera a W Allen três papéis nucleares em três filmes lindíssimos em três anos seguidos
imediatamente antes: “Zelig”, “Broadway Danny Rose” e “The Purple Rose of Cairo”. Nos dois
primeiros W Allen era o par/oposto/complemento de M Farrow; no filme de 1985 já cedia o lugar a
um doce e irreal Jeff Daniels.
      Este papel, neste filme, “Hannah”, terá sido um aviso conjugal ?











FIM DE AGOSTO - 1987



      O que eu lembrava mais do filme “September” (1987) de Woody Allen era os para aí dez
minutos de escuridão na casa amarela em que toda a acção deste filme se passa, um tempo que
seria nuclear ao desenrolar do filme.
      Passados anos verifico que já não penso assim. W Allen fez mais um semi-Bergman tour de
force, e a escuridão é a metáfora para todos os personagens do filme, sem excepção, a escuridão
que permite ver milhões de estrelas de um universo que nasce do “acaso, é moralmente neutro e
inimaginavelmente violento”. E as metáforas não ficam por aqui.
      Almas perdidas e encravadas numa casa de campo, amontoadas umas sobre as outras por
uma tempestade. Estamos em Agosto, não Setembro, a tempestade é portanto de verão.
Setembro é o amanhã que aparece tão trémulo só mesmo no fim do filme, não mais vivo, não mais
decidido ou decisivo, apenas mais perto.
      Mia Farrow, num papel discutido mas, para mim esplêndido, é Lane, a filha neurótica de uma
antiga estrela de cinema, Diane, representada por Elaine Stritch. Esta cai-lhe em cima num fim-de-
semana nesta casa que é das duas, como também um segredo antigo que é fotocópia de outra
história, esta real, de Hollywood. Esse segredo é intransponível e é a única parede de tijolos neste
chalé. O marido (2º ?) da mãe de Lane, representado de uma forma clássica por um clássico –
Jack Warden – é o mais improvável dos físicos teóricos, perdido no e pelo universo, só tendo
Diane como a única certeza na vida. Funciona para ela como um eco, um escudo, mais que um
guarda-costas, um guarda-vidas. Outra das curiosidades deste filme: dois métodos, duas
gerações de Hollywood acting em acção, com um toque british adicional que agora se menciona:
Denholm Elliot é Lloyd, o vizinho viúvo já de uma certa idade mas o oposto do homem maduro mas
com charme, e que se apaixonou por Lane neste retiro pós-intoxicação-medicamentosa. É a figura
menos rica do filme, e o seu amor será em vão. Falta uma brilhante Dianne Wiest, Stephanie, num
talvez dos seus grandes papéis, contraponto “normal” de mulher em contraste/complemento com
Lane. Também ela está a viver um hiato de indecisão na sua vida, casada, dois filhos, marido Ken
que telefona, arrastando Lane pelo paralelismo das crises e trazendo-a para o mainstream da
desorientação não patológica. O homem bonito que desequilibra o barco é Sam Waterston, Peter,
e o filme não é simpático com ele. Eventualmente escritor, terá alugado o anexo e, em pós
casamento falhado (o que seria de W Allen se os casamentos não falhassem) absorve o pensar e
sentir de Lane mas depois apaixona-se por Stephanie, que lhe corresponde/não corresponde,
dividida entre lealdade, fidelidade, necessidade e paixão.
      É uma peça em 4 actos este filme: o primeiro, iluminado, com uma introdução rapida e concisa
da teia de relações e o espalhar do veneno; o segundo, à luz da vela, já foi mencionado,
aprofunda os personagens (Diane ganha vida), perde-os ainda mais, os dados estão lançados; o
terceiro lança-os para a noite como braços de um polvo que se desdobram para logo encolherem
na primeira luz da manhã, o quarto acto, onde mãe e filha se confrontam, os amantes se desligam
e, a muito custo a vida volta a pegar no ponto onde tinha como que parado no dia anterior.
Neste filme as paixões também se consumam, os segredos desvendam-se e o que a noite cobre a
manhã descobre. Mas, quem encarar este filme só como um filme sobre desencontros amorosos
levará com a nuvem e perderá a rainha do Olimpo. Este filme é uma catarse sufocada de fim de
verão onde o pivô é Stephanie, ora seduzindo ora em fuga, ora querendo ora abdicando, ora
ajudando ora pensando em si. E é esta Stephanie que, quando a tempestade já tem doze horas
de passada faz o café, ou chá já não me lembro, e volta a puxar Lane/M Farrow para o mundo dos
desesperos normais, ora com uma palavra agreste, ora com uma mais suave... e a câmara
desenha um fecho de correr com o qual encerra um filme/caixa de teatro de diálogos às vezes
perfeitos, cores sublimes, representação deliciosa e sem um deslize.
Repito ser este papel da Mia Farrow muito bom, talvez o último desta qualidade que W Allen lhe
tenha dado. Não estando ele, o comediante, não houve comédia, apenas algum chit-chat
ocasional pelo par Stritch/Warden.
      Não é um épico, mas envelheceu bem, este filme, portanto, 4 em 5, meus senhores ? Outra
coisa que eu não compreendo: que as bandas sonoras dos filmes de W Allen, pelo menos
algumas, não vendam bem !












ANOTHER WOMAN - 1988



      Porque é que este filme se chama assim ? Melhor ainda, como e para quem fez Woody Allen
este filme ? A resposta só pode ser Gena Rowlands.
      Porque se trata de uma obra-prima e de um forte candidato ao melhor filme de W Allen tem
apenas como defeito quase nem parecer dele. Mas é.
      G Rowlands é Marion, uma escritora e professora de sucesso de filosofia, casada em 2ªs
núpcias com um cardiologiasta idem, Ian Holm/Ken. Ao alugar um escritório para escrever em paz
downtown, começa a adquirir através das canalizações as conversas e confissões do psiquiatra
que dá consulta ao lado. A consultada é Hope/Mia Farrow, de quem ouvimos mais a voz do que a
vemos durante o filme. As suas angústias e medos tocam fundo em Marion que, aos 50 anos
procura rever o conteúdo de toda uma vida, família, primeira relação, casamento actual, e
encontra pouco. A “outra mulher” Hope debate-se com os seus sentimentos, e duvida sobre um
eventual suicídio, etc., Marion/G Rowlands tenta lembrar-se quando foi a última vez que sentiu.
      Marion enceta um clássico “onde é que as coisas começaram a correr mal”, ao som
hipnotizador e cadenciado de Satie, com muito silêncio à mistura. O pai, o irmão, a paixão antiga, o
primeiro marido (e professor), a amiga, a enteada, o marido. Sentir ou não sentir, eis a questão.
Julgar, não ceder, crescer sempre e vencer, a história de uma solidão é reconstruida perante os
nossos olhos com as vozes certas, as pequenas aquisições de enredo sendo gradualmente
empilhadas uma a uma, sem falta ou receio.
      Os filmes de W Allen distinguem-se às vezes, os bons dos menos bons, pelo adequado uso
dos secundários. Em “Another Woman” não há um personagem supérfluo, estático ou repetido. O
puzzle é perfeito. Um exemplo é o antagonismo Ian Holm/Gene Hackman (Larry Lewis), este a
única paixão havida e rejeitada em nome da razão. E esta perfeição atravessa idades, desde John
Houseman a Martha Plimpton.
      Entretanto M Farrow/Hope, firme no seu pequeno papel de grávida-em-crise, descobre que
não se quer matar ao almoçar com Marion e se defrontar com alguém que afinal ainda tem menos
do que ela, diagnóstico que Marion vem também a conhecer “pelos canos”.
      O enredo dos filmes deste homem acabam por ser clássicos e a traição masculina é o
desencadeante das decisões finais com demasiada frequência. Assim é aqui também, a separação
acontece após um flagrante no mesmo almoço que junta Marion e Hope, e o filme termina com
uma reformulação das razões para o título do filme: Marion lê o que Larry escreveu sobre si num
romance, “a woman capable of passionate love”. Esta frase funciona como uma redenção, como
uma bóia de salvação. E a “outra mulher” poderia ter sido Marion, tivesse ela seguido pelos
caminhos do romance anos antes, ou poderá ser esta mesma Marion que no fim olha em frente e
finalmente percebe, porém não tarde de mais.















CRIME E CASTIGO, OU A SUA AUSÊNCIA (POR NÃO HAVER QUEM A APLIQUE) - 1989



      “A strange person defecated on my sister !” “Why ?“ São diálogos assim que darão a
imortalidade a Woody Allen e há muito mais donde este pequeno bocado veio, “Crimes and
Misdemeanors”, filme de 1989.
      Repito serem os filmes de W Allen mestres no prêambulo, na introdução do tema principal, no
resumo em 5 minutos da charada à volta da qual o filme entrará em manobras durante os 90-100
minutos da praxe. Eis portanto Judah Rosenthal (nome judeu por antonomásia), Martin Landau at
his best, oftalmologista de êxito, filantropo, farol de uma família de referência, esposa Miriam
incluída (Claire Bloom). Que iria receber uma carta de Dolores, a amante desesperada de Judah,
Anjelica Houston também superlativa, não fosse o mesmo Judah interceptá-la. Isto é o filme, o
resto é side kicks. Dolores vive do caso que mantém há dois anos com o rico, culto e charmoso
Judah, é o que tem, não mais, enquanto do outro lado da trincheira Dolores já não é mais do que
um estorvo. Dolores só tem uma solução, destruir o paraíso da família Rosenthal e vir a público
com a sua versão da história, o que Judah quer evitar a todo custo.
      Vamos conhecer outros figurantes do filme, desta vez vivos e bem delineados. Temos por ex.
a intriga televisiva gerada entre W Allen (Cliff) em mais um papel do realizador/intelectual
incompreendido, e o seu espelho, Alan Alda (Lester), o oligofrénico mulherengo com sucesso.
Entre os dois navega uma produtora em início, Mia Farrow (Halley Reed), idealista mas com um
olho na carreira. O documentário modelo: a história de um filósofo judeu-americano, Dr Levy, que
no meio das brumas do judaísmo e da vida descobre alguma esperança, história que Cliff quer
filmar.
      E depois encontramos outro jogo de opostos, Ben, rabi, irmão de Lester, paradigma da
bondade (Sam Waterston) mas que, curiosamente, está a cegar apesar de ir às consultas de
Judah. Ben, o religioso, é o único a quem Judah confessa o seu problema, Judah o homem de
ciência, o céptico, o agnóstico que, afinal, liberto dessa presença divina criou a sua moral com  -
Dolores, uns negócios escuros com uns fundos de beneficência...
      E o pé do realizador acaba por virar por completo a pedra Judah para revelar o que há por
baixo ao aparecer o irmão marginal, mafioso, outro oposto, Jack (Jerry Orbach), a outra e a última
pessoa a saber do caso Dolores. Isto porque Judah vai ser juiz em causa própria, decide a
ausência de solução outra que não o desaparecer de cena da amante, e Jack faz o resto, a saber,
assalto e morte violenta. Problema resolvido ?
      Estamos perante uma obra-prima, um 5 em 5. A encenação dos últimos momentos de Dolores
e dos primeiros passos de Judah como culpado de homicídio por encomenda são do melhor
cinema que W Allen já fez. E afinal Judah vai defrontar-se com a culpa que uma educação religiosa
lhe incutiu lá no fundo, pelo menos durante uns trinta, quarenta minutos, picture time. Sofre umas
poucas perguntas da polícia, nada de mais, afinal tinha ido logo ao local do crime olhar para o real
da morte de Dolores... e retirar uns papéis, a sua fotografia...
      O filme termina numa festa, Judah já curado da sua má consciência e a explicar ao único que
falhou (Cliff/W Allen), que o tempo cura tudo e que há culpados de homicídio que escapam ilesos...
Mia Farrow, no seu primeiro papel não-muito-simpático, fez uma correcção de carreira e casou
com Lester; Ben o que “vive no mundo dos céus” está definitivamente cego, o olho de Deus não
lhe valeu, nem reparou nos pecados de Judah, nada venais. Dolores está morta e esquecida, W
Allen apenas se faz compreender por uma sobrinha, uma criança, e o seu herói para um
documentário, o optimista Prof. Levy suicidou-se deixando um lacónico bilhete: “I’ve jumped out the
window”. As últimas imagens são de Ben a dançar com a filha recém-casada...um cego a dançar
com uma futura mulher enganada, traidora, whatever... victim or perpetrator of a crime, a
misdemeanor... e não há Deus, ou pelo menos não anda a olhar...












ALICE EM NOVA IORQUE - 1990



      Já disse mas agora repito, é um apetite incontrolável este o de espreitar os filmes de W Allen
com M Farrow e tentar descortinar algum mal-estar na cortina de fumo que então havia sobre a
estabilidade do casal.
      E aqui vem “Alice”, filme de 1990 e o último a ter Mia Farrow como personagem central e fio
condutor do enredo, tal como na “Purple Rose of Cairo”, 5 anos antes.
      Alice é uma esposa novaiorquina de classe alta, esvaziada e domesticada por marido, casa e
filhos, e com as amizades correspondentes. Comme de habitude, W Allen faz o desenho rápido da
situação no início do filme. E enamora-se - Alice - (com beijo preambular a explicar that they’re
meaning business) de um saxofonista meio trapalhão criado por Alec Baldwin. Saindo destes dois,
o resto é confetti e convenção, com figuras esquemáticas a rodear as indecisões de Alice/Mia
Farrow, defeito que é frequente nos filmes deste autor. Eles andam ali para trás e para a frente,
ele ainda gosta da ex-mulher, ela a gerir as típicas culpas mais do seu argumentista que da dita
educação católica, para variar recupera a amizade da irmã mais velha, fuma uma cachimbada de
ópio e vê a Madre Teresa de Calcutá como um ideal a seguir. Confused ?
      Como único achado do filme e, este sim, para ficar na história dos filmes de W Allen, há um
herbanário e charlatão e dono de um locutório de ópio, o Dr. Yang, recomendado por “todo-o-
mundo” que rodeia Alice e que vai fornecendo a esta ervas que desinibem, ervas que fazem a
pessoa invisível, ervas da paixão, etc, fornecendo alguma boa comédia ao filme. Mas o Dr. Yang
acaba por parecer às vezes o único ser real deste filme, ao desmontar os somatismos e os vazios
e as indecisões de Alice em duas ou três frases, abrindo e fechando a compasso as opções que
ela tem que tomar.
      Este filme mostra uma Mia Farrow em boa forma e apta para alguma comédia. Ela carrega
bem o filme, sem desgaste, e os defeitos que lhe possamos apontar são de argumento e de algum
cansaço nos diálogos. Vamos a um 2,5 em 5, não ?
Claro que ao fazer um filme em torno da esposa, W Allen teria que criar um happy ending: após
descobrir as óbvias infidelidades do marido W Hurt (enésimo heartless role), ela decide arranjar
uma vida, vai à Índia, volta e vai ajudar os pobres, e termina a brincar com os dois filhos num
jardim público. Mas a cara final de Mia Farrow, tal qual Woody Allen a filmou não é a de uma
pessoa em descanso e decidida, o desequilíbrio está ali... Limitação da actriz, subtileza do filme,
reserva mental de quem manda e está a pensar ir-se embora ?



      Abr 2004 Guilherme