| FILMES DE MILOS FORMAN |
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| COMO ESCREVER UMA CARTA, Valmont, 1989 Valmont é de 1989 e foi realizado por Milos Forman. É uma co-produção europeia e nota-se. Adaptação da obra conhecida de Choderlos de Laclos, conta uma história de sedução, intriga e de enganos na França do século XVIII. A trama é conhecida de muitos: Mme de Merteuil, uma viúva que tem como amante Mr de Gercourt, descobre que este vai casar com Cécile de Volanges, uma gentil, virginal e inocente criatura de 15 anos, e que se prepara para a deixar. Como vingança, pede ao seu amigo Mr de Valmont que desvirgine Cécile, para que Paris despreze Mr de Gercourt. Mr de Valmont está porém interessado em uma conquista diferente, Mme de Trouvel uma jovem esposa de um juiz cuja solidão o espicaça tanto quanto a perspectiva da conquista de mais uma mulher. Só mais uma ? Durante boa parte do filme não se percebe, porque Valmont talvez também não o saiba, ou não queira saber, embora Mme deTrouvel seja objecto de aposta com Mme de Merteuil. A resistência de Mme de Trouvel ao fim esvai-se, embora pelo meio Valmont se entretenha a explicar os factos da vida a Cécile. Cécile tinha-se apaixonado pelo seu professor de harpa, Chevalier Dancenny. Este vai ser um juguete nas tropelias do filme. O s jogos de sedução terminam numa guerra declarada entre os dois mestres, Valmont e de Merteuil, quando esta não paga a aposta perdida. Perde quem hesita, Valmont, porque mente graciosamente a Mme de Trouvel , e deixa que seja ela a partir. Porque se perde no confronto directo com Merteuil ao decidir o destino dos adolescentes Cécile e Dancenny. Porque se atira para a morte num duelo com este, ao se encontrar sem sentido para a sua vida, sem paixão, sem amante, sem cúmplice. Mas sobrevive ele na gravidez de Cécile de Volanges. A imagem de vazio final de Mme de Merteuil (o seu amante casa-se tout même) contrasta com a imagem da campa de Valmont aonde Mme de Trouvel se vai despedir, tout même, supomos que acompanhado por um marido compreensivo. É um filme que se compara com a anterior versão da mesma obra por Stephen Frears: e ganha. É mais claro, no que diz respeito ao texto, no jogo de cores e tonalidades (amarelos muito mais claros, brilhantes e festivos), na representação e no rir dos actores. Paradoxalmente joga numa apresentação do rendilhado de relações e diálogos de artíficio da época mais descontraida e juvenil, com sotaques não disfarçados, actores mais coerentes de idadmesmo adolescentes. Ao evitar o melodrama, o filme torna-se mais credível, mais leve, mais rápido a alternar os tempos, as vitórias e as derrotas. Tem diálogos (à mesa) memoráveis, a iniciação de Cécile é apetitosa, a desolação do dia–a-seguir do encontro Trouvel/Valmont é poesia pura. Colin Firth é fresco e não olha-como-Malkovitch (uma vantagem); Annette Bening é um festim e a perfeita encarnação do mal, bem melhor que Glen Close; Meg Tilly não precisa de representar o sofrimento encarnado por Michelle Pfeiffer, a sua cara straight-from-The-Big-Chill diz tudo o que é preciso dizer sobre a paixão e o desespero. E os jovens actores que fazem de Cécile e Dancenny são isso mesmo, mas com Cécile a despedir-se de Valmont com um beijo de amante. Um filme que consegue ser grande ao se disfarçar de pequeno. |
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